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Apneia do sono derruba a testosterona: entenda os riscos

Por Dra. Maikelli Simes · · 5 min de leitura
Apneia do sono derruba a testosterona: entenda os riscos

Seu marido ronca todas as noites, acorda cansado mesmo depois de horas na cama e anda com menos interesse na vida íntima? A causa pode não ser só o cansaço da rotina. A relação entre apneia do sono e testosterona é direta: quanto mais grave o distúrbio respiratório, menor tende a ser o nível do hormônio, e a apneia sem tratamento também aumenta o risco de morte.

Este texto explica o que é a apneia do sono, por que ela é mais perigosa do que parece, como ela reduz a testosterona dele e quando vale buscar avaliação médica. Se preferir ir direto ao ponto, manda este texto pra ele.

O que é apneia do sono

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a respiração para repetidamente durante a noite, porque a via aérea na garganta se fecha. O cérebro desperta parcialmente para reabrir a passagem de ar, sem que a pessoa perceba, e isso pode se repetir dezenas ou centenas de vezes por noite.

Nem todo ronco é apneia, mas ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado e sonolência durante o dia formam o padrão mais comum de quem tem o problema sem diagnóstico. No Brasil, cerca de 1 em cada 4 homens tem apneia obstrutiva do sono, contra 1 em cada 10 mulheres, e a obesidade é o principal fator de risco.

Por que a apneia do sono é mais perigosa do que parece

Quadros graves de apneia aumentam em até 3 vezes o risco de morte por qualquer causa, e a chance de morte por problema cardiovascular chega a ser cerca de 5 vezes maior. A queda repetida de oxigênio no sangue durante as pausas respiratórias sobrecarrega o coração e favorece arritmias durante o sono, o que explica parte desse risco.

Como a apneia do sono derruba a testosterona dele

A maior parte da testosterona da noite é produzida durante as fases mais profundas do sono, incluindo o sono REM. Como a apneia fragmenta o sono antes que ele chegue a essas fases, a produção do hormônio cai. Quanto mais grave o quadro de apneia, menor costuma ser o nível de testosterona.

Isso ajuda a explicar sintomas que muitos casais atribuem só ao estresse ou à idade: queda do desejo sexual, ereções menos frequentes, perda de força nos treinos e acúmulo de gordura na barriga mesmo sem grandes mudanças na alimentação. Já expliquei outras causas dessa queda hormonal, incluindo hábitos do dia a dia, no texto sobre testosterona baixa nos homens.

O sono ruim ainda entra em outra conta: ele eleva o cortisol, hormônio do estresse, que por sua vez também inibe a produção de testosterona. Isso cria um ciclo em que a apneia prejudica o sono, o cortisol sobe, a testosterona cai ainda mais, e a disposição para cuidar da própria saúde diminui junto. Expliquei esse mecanismo com mais detalhes no texto sobre cortisol alto e os sintomas do estresse crônico.

Sinais de apneia do sono e testosterona baixa que você percebe antes dele

Fique atenta se ele apresenta:

  • Ronco alto e constante, especialmente se você percebe pausas na respiração durante o sono;
  • Sonolência durante o dia, mesmo depois de uma noite inteira na cama;
  • Cansaço que não melhora com o descanso;
  • Dor de cabeça ao acordar;
  • Queda do desejo sexual e da disposição, sem outra causa aparente.

Nenhum desses sinais fecha o diagnóstico sozinho, mas o conjunto, quando persiste por semanas, justifica uma avaliação médica.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por um exame de sono, que pode ser realizado em laboratório ou, em alguns casos, em casa. O tratamento mais comum é um aparelho que mantém a via aérea aberta durante a noite, usado durante o sono. Perder peso e reduzir o álcool também ajudam, mas o exame é o que confirma o diagnóstico e orienta a escolha do tratamento.

Quando a apneia é tratada, parte da testosterona perdida costuma se recuperar, mas isso depende do quadro de cada paciente e exige acompanhamento médico, não apenas o uso do aparelho por conta própria sem avaliação.

Como falar sobre isso com ele

Homens costumam demorar a procurar ajuda para o ronco, porque tratam o assunto como piada ou como algo que só incomoda quem dorme ao lado. Descrever o que você observa, como as pausas na respiração ou o cansaço constante durante o dia, costuma funcionar melhor do que cobrança. Propor um exame como parte de um check-up de casal reduz a resistência dele.

Perguntas frequentes

Ronco sempre é sinal de apneia do sono?

Não necessariamente. Mas ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado e sonolência durante o dia juntos aumentam bastante a chance de ser apneia, e valem uma avaliação médica.

A apneia do sono tem cura?

O tratamento controla o problema e reduz os riscos associados, incluindo a queda de testosterona, mas a necessidade de manutenção varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como peso e anatomia da garganta.

Tratar a apneia recupera a testosterona?

Em parte, sim, especialmente quando o tratamento é seguido de forma consistente. A recuperação completa depende também de outros fatores, como peso e outras condições de saúde, e deve ser acompanhada com exames.

Quando procurar um médico por causa do ronco?

Quando o ronco é alto e constante, quando existem pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, ou quando há sonolência e cansaço que atrapalham o dia a dia.

Apneia do sono é a mesma coisa que testosterona baixa?

Não. São dois problemas distintos que se influenciam. A apneia é um distúrbio respiratório do sono, e a testosterona baixa é uma consequência hormonal possível dela, entre outras causas. O diagnóstico de cada um exige exames diferentes.

Aviso: este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.